Com o gosto de Nordeste
O Turista se impacta de cara com a sua simpática orla, que preservou os ares da região famosa pelos coqueiros, brisa e culinária de dar água na boca. Ela está ainda mais bela.
Por Luciana Guimarães - Diario de Pernambuco
Mar límpido, arquitetura que faz você sentir gosto do Nordeste. Os prédios de luxo da beira-mar não aniquilaram a tipicidade da nossa região. Têm poucos andares, são revestidos em sua maioria por cerâmicas artesanais. Suas calçadas remetem ao sonho de qualquer urbanista que se preze - largas, esbanjam verde. Não há espetinhos à venda, tampouco quinquilharias. Há movimento, agitação, vida noturna, carros importados, ônibus, gente. Bares, restaurantes, lojas de grifes. Artesanato. Culinária convidativa aos mais variados paladares. Bem-vindo à capital das Alagoas. Uma boa pedida para quem quer esticar o feriadão 7 de setembro ou mesmo se programar melhor para a temporada de sol que está por vir.
Lá você tem tudo para se sentir literalmente no Nordeste. Da arquitetura nobre e simpática da orla que privilegia a brisa e a democratiza com o resto da cidade à culinária - que vai do susuru de coco, lagosta aos pratos históricos oriundos e bem aperfeiçoados dos portugueses e da fase áurea do açúcar. Vida noturna também tem, bem eclética; as praias agregam com seus vários perfis, seja do litoral norte ou do sul.
O destino não representa necessariamente uma novidade, sobretudo para os vizinhos pernambucanos. Mas vale a pena ser revisto. Repaginada, a cidade está convidativa. O turismo vem sendo encarado cada dia mais com profissionalismo. E os pernambucanos são grande fatia do "bolo" do turismo.
Origem - O nome Maceió é originário dos índios, que batizaram o lugar de "Maçayó" ou "Maçai-o-k", que significa "o que tapa o alagadiço". Alguns historiadores afirmam que a cidade teria nascido de um antigo engenho de açúcar, por volta do século XVIII. Já outros, por ser praiana, dizem que seu surgimento está ligado a uma pequena vila de pescadores. Para o turista, seja qual for a origem, o que vale mesmo é que o destino reserva gratas surpresas, sobretudo àqueles que apreciam a natureza e a boa mesa.
Praias como a Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca, Cruz das Almas, Jacarecica, Guaxuma, Riacho Doce, Mirante Sereia e Ipioca são um convite ao prazer. Em todas, vale atentar para os inúmeros coqueiros, jangadas - típicas da região. Vale ainda os petiscos das praias, um sorvete de graviola, mangaba ou cajá, a tapioca e o sururu. Confira abaixo um pouco mais sobre o destino, muitas vezes desconhecido até por aqueles que costumam visitá-lo.
Piscinas naturais
As piscinas naturais, que na década de 40 eram o paraíso dos pescadores e de algumas famílias da Ponta Verde, foram finalmente descobertas por turistas do mundo todo na década de 80. Para chegar até elas, a dica é contratar os serviços de um jangadeiro e navegar até as águas mornas e cristalinas represadas por corais, onde vivem milhares de peixes coloridos. Pajuçara e Ponta Verde são tradicionais cartões-postais da cidade. Mas Maceió guarda outras praias também belas, como Jatiúca, Cruz das Almas e Jacarecica, que atraem os surfistas com suas ondas. Indo para o norte, as praias de Guaxuma, Garça Torta, Riacho Doce, Mirante da Sereia e Ipioca são as preferidas dos alagoanos nos fins de semana e também oferecem estrutura eficiente de bares e restaurantes, além de rede de vôlei para muitas partidas. Tem ainda, dependendo da época, shows de jazz, blues, rock, MPB.
Boa mesa
O Sururu (molusco de água doce) é um dos pratos mais típicos de Maceió e está presente na maioria dos bares e restaurantes da cidade. Pode chegar na casca com pirão ou até numa típica receita francesa. Mas a glória do sururu é ao leite de coco. Uma combinação perfeita. Afinal, com seus vastos coqueirais, o coco é a base de muitas receitas em Alagoas.
A culinária alagoana é a mistura das tradições dos índios, dos portugueses (colonizadores) e dos africanos que chegaram como escravos ao Brasil. Mas os índios, que foram os primeiros habitantes no paraíso alagoano, deixaram a tradição da tapioca, ícone também dos pernambucanos. Mas o mais legal é que o turista hoje encontra em Maceió sabores do mundo todo, ou quase todo (Itália, Japão, China, Peru, México, França são alguns exemplos).
Confira alguns nomes garimpados pelo Viagem que, na verdade, já se tornaram pontos turísticos de quem prima pela culinária no roteiro: Nira (pratos da culinária chinesa e nipônica); Hamburgueria (como as casas americanas, o cliente é o próprio chef, escolhe as carnes para o seu hambúrguer); Lê Sururu (da rede Boa Lembrança, se destaca pelo sururu com sotaque francês); Le Corbu (também da Boa Lembrança, é comandado pelo pernambucano Jorge Bandeira, que trocou o comando das aeronaves pelas panelas há 10 anos. Destaque para a paleta de cordeiro e fettucine). Por fim, as Irmãs Rocha (uma viagem pela história, com pratos típicos e mesa de doces inesquecível).
Bairro das cores
Depois das piscinas naturais, a pedida é fazer um passeio pelo bairro do Pontal da Barra, verdadeira viagem às tradições e à gastronomia de frutos do mar e das lagoas, como o famoso sururu (molusco) ao coco. Preste atenção nas inúmeras mulheres, na porta de casa ou na beira da lagoa, tecendo o filé (bordado feito a partir da rede de pesca), uma renda tipicamente alagoana. Taí uma opção de lembrancinha. Você estará ajudando no sustento de mais 400 famílias do bairro. Localizado no litoral sul de Maceió, o bairro tem aos sábados apresentação do Fandango (folguedo representado por uma dança com motivo náutico, com forte inspiração
portuguesa). Para o final da tarde, reserve um tempinho para o pôr-do-sol na Lagoa Mundaú.
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